Moradores de Bocaiúva do Sul mudam rotina após ataque misterioso a animais; população suspeita de onça
28/08/2025
(Foto: Reprodução) Suspeita de onça agita moradores de Bocaiúva do Sul
A suspeita de que uma onça estaria rondando por Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, fez moradores e criadores da cidade mudarem a própria rotina. A possibilidade, no entanto, foi inicialmente afastada pelas autoridades.
Os moradores começaram a suspeitar da presença de uma onça depois que o cachorro de uma fazenda desapareceu temporariamente e voltou machucado, com mordidas profundas.
"Ele veio todo machucado, ensanguentado e com feridas compatíveis com mordidas de outros animais. A gente fez os curativos nele, lavou, aplicou antibiótico, e agora ele está se recuperando", disse o médico veterinário Gerson Vianna.
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A situação foi levada até o Instituto Água e Terra (IAT), que afirmou que não há indícios de que o ataque ao pet tenha sido feito por um felino.
Para tranquilizar a população, o IAT informou que irá instalar armadilhas fotográficas na região como medida de monitoramento.
Antonia Silva Lourenço, que mora na região, mudou a forma de ir ao trabalho por conta da suspeita.
"Eu vinha a pé, agora estou vindo de carro. Tenho medo [de encontrar com o animal]", conta.
Pegadas registradas na região
Reprodução/Redes Sociais
Claudia Masselli, criadora de cavalos, informou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que percebeu que as éguas da fazenda apareceram com machucados.
Como forma de proteção, o local onde os cavalos ficavam mudou. Agora, eles ficam em um espaço limitado, próximos a sede do haras, onde há mais movimento de pessoas.
Outros moradores registraram pegadas pela região, que também foram analisadas por especialistas que afirmaram que não é possível confirmar se tratar de uma onça. Assista ao vídeo abaixo:
Moradores de Bocaiúva do Sul registram pegadas de animais na cidade
Perda de habitat natural leva a aproximação das cidades
Segundo o coordenador do Programa Grandes Mamíferos Serra do Mar, Roberto Fusco, alguns fatores levam os animais silvestres a se aproximar das ocupações urbanas, principalmente propriedades rurais.
"A perda de habitat, a fragmentação do habitat, a diminuição das presas naturais como tatus, porcos-do-mato explicou.
Se a população encontrar um animal silvestre, ou suspeitar da presença dele na região, deve informar às autoridades e, se possível, enviar imagens do animal ou de indícios dele, como pegadas e pelos. Confira telefones para isso:
Instituto Água e Terra: (41) 99554-0553
Secretaria de Meio Ambiente: (41) 3291-5137
O delegado Guilherme Dias reforça a importância da população buscar as autoridades em casos de avistamentos.
"Quem matar qualquer animal silvestre pode responder por crime ambiental, que tem uma pena de 6 meses a um ano de detenção. Caso uma pessoa se depare com uma onça, é muito importante que você procure os órgãos ambientais competentes e eles avaliam se é o caso de realocar essa onça para outra região do estado", explica.
Fusco detalha também que a onça-pintada está ameaçada de extinção e que a morte de um animal como esse pode representar também desequilíbrios ambientais.
"Matar esses animais não resolve o problema, e também é ilegal. A perda deste indivíduo na região afeta o ecossistema como um todo", afirma.
VÍDEO: Onça-pintada é filmada descansando em ciclovia do Parque Nacional do Iguaçu
Como agir quando encontrar uma onça?
Onça-pintada (Panthera onca)
fuzzygoat / iNaturalist
Conforme Fusco, as onças costumam evitar contato com o ser humano. Porém, caso a população se depare com uma delas, o primeiro passo é observar o animal.
"É natural que a gente sinta medo, mas quando você encontrar com uma onça-parda deve parar, observar e ver se ela está se aproximando. Se ela está se aproximando, começa a fazer gestos, gritar, erguer a mão, que ela tende a se afastar. Se ela estiver com filhote, ou vocalizando, evita se aproximar do animal e se afaste, porque ela está com filhote, então qualquer sentimento de ameaça por parte do bicho ele tende a atacar", explica.
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